Em Moçambique, a cada ano, consegue-se perceber que o conceito de Marketing vem se tornando cada vez mais falado e disseminado tanto teoricamente quanto de maneira prática e isso quase a todo nível, desde as pessoas menos informadas, em formação e até os seniores no campo.
Temos várias informações que dizem respeito ao Marketing, no cenário actual, principalmente quando nos deparamos com o crescimento vertiginoso de criadores de conteúdos para os mídias digitais que servem, por vezes, como meio em que determinadas marcas a eles recorrem como solução para vender e até expor produtos ou serviços. A maior parte das marcas a nível nacional ainda usam modelos antigos para se promoverem, apesar da percepção do consumidor em relação a produtos e serviços se terem alterado.
Como o consumidor pensa nos dias actuais
É da natureza humana, segundo a história da evolução das artes e das sociedades, que as pessoas descobrem, inventam e criam soluções conforme o tempo vai passando; por sua vez, essas criações vão afectar na forma de se estar e de se comportar numa cadeia em que aquilo que se desenvolve condiciona o comportamento durante a interação – dinamizar e facilitar –, vai por sua vez proporcionar maneiras peculiares de perceber as coisas.
Dito isso, antigamente bastava falar de produtos ou serviços e quiçá apresentar ilustrações, fotos e até vídeos de uma forma que desencadeasse interesse num público previamente definido para poder estar na mente das pessoas. Hoje isso não é mais suficiente, visto que existem mais marcas a oferecem serviços e produtos que no passado em cada esquina, a cada outdoor, a cada scrolling*, a cada revista e até nos podcasts se encontram presentes.
Com isso fica difícil uma marca que usa táticas antigas permanecer na mente das pessoas e consecutivamente vender. Isso porque o consumidor se torna cada vez mais esclarecido, exigente e com o poder de decisão, já não responde ao que lhe é proposto baseado no poder ou na história da marca. As pessoas hoje em dia compram pela a experiência que as marcas ou produtos as farão sentir.
Essa nova postura obriga os profissionais que actuam no vasto campo de Marketing a repensarem os modelos antigos de vender.
O que as marcas podem fazer para gerar conexão com consumidores
Antes de avançar para as propostas, é importante considerarmos que a evolução de meios e/ou de estratégias não significa que os métodos anteriores não funcionam mais. Isto é, há uma necessidade de se combinar as diferentes estratégias de modo a garantir um lugar na mente das pessoas de modo a que elas sintam um senso de pertença e talvez desencadear afinidade pelas marcas.
A exemplo disso, em Moçambique, mais concretamente Maputo, há um público que se mostra amador de café e há um público. Dentro desse universo temos pessoas que consomem o café para ganharem energia para trabalhar, há quem gosta de café variado como “ice coffee”, e há quem gosta de estar em um ambiente agradável a ler tomando um café, há quem toma café nos encontros de reunião. Agora imagina como marcas podem conseguir, tendo definido o seu público, proporcionar experiências que conectem as pessoas até que gerem uma afinidade por elas:
- Temos um exemplo concreto de Nora Café e Ritual Speciality Coffee, que junto com a organização do maior evento de Café “COFFEE PARTY” conseguiram, através dos clientes que já tinham, através de feedback, irem ao encontro de um público maior cuja união nasceu de um interesse comum.
E nesse evento a experiência começa desde a embalagem do produto, a qualidade do produto, o atendimento (um grande desafio pela demanda), e por fim pelo modo que as pessoas conversaram entre elas sobre o que têm em mão, naquele ambiente, as fotos que farão para os stories (quem não esteve também saberá da existência dessa marca) e por aí em diante.
Marketing de Experiência é apenas sobre eventos?
NÃO. Essa é uma das estratégias. Temos marcas como a Cerveja 2M a dar aulas práticas sobre como aplicar a experiência de marca. Uso esse exemplo por ser o mais abrangente, isto porque, dependendo do segmento há que encontrar uma maneira específica que incluam os consumidores.
Muito antes do Mundial, a Cerveja 2M vem aplicado o Marketing de experiências com vista a conectar-se com os seus consumidores, acompanhando o tempo. Isto porque, sabemos que essa marca já tinha nome no mercado, tendo nascido numa época em que não existiam tantas marcas como hoje, nem sequer a postura com que os consumidores têm hoje.
De uma ou de outra forma, a Cerveja 2M sempre buscou se manter como a líder no mercado em seu segmento sem perder as suas raízes e para tal resgatou o seu grafismo adaptando para Brand de viaturas, embalagens, sacolas, t-shirt e outdoors. Foi ainda mais contemporâneo ao garantir que +1000 consumidores tivessem os seus rostos em seus outdoor, algo que gera ainda mais conexão, partilha e emoção – afinal de contas os consumidores gostam também de aparecer.
Mas…
Quando colocado dessa forma, é normal que pareça que apenas as marcas com muito capital alocado ao marketing é a que só pode ter sucesso através do Marketing de Experiência. Calma, depende…
Há diversas maneiras de se implementar estratégias em que o consumidor poderá se conectar com a marca, para além de usar eventos que decorrem num determinado momento para criar uma comunicação com o público, várias são as formas de se desenvolver meios que não sejam de facto, falar sobre o produto em si ou dos seus benefícios, como pode se buscar melhorar a qualidade do atendimento, maneira com que se estabelece a comunicação e até pode se melhorar o ambiente interno de modo a proporcionarem um bem-estar aos potenciais consumidores.
Últimas considerações
É importante que se tenha em mente que o que foi aqui partilhado não esgota o tema proposto e nem era o objectivo. Pelo contrário, o que se pretende é partilhar um pouco daquilo que tenho como experiência, assim como abrir um campo para a discussão daquilo que vem sendo praticado no país.


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