
Seria de loucos se algum de nós pudesse assumir que sabe o que o futuro nos reserva. Mas, quando falamos de nós, neste contexto, a quem nos referimos?
Para colocar os traços nos “t’s” e eliminar a possibilidade de ruídos que o título do ensaio possa sugerir, quando nos referimos a nós estamos a querer indicar as empresas, profissionais e escolas que precisam da comunicação visual para o fim de estabelecer uma comunicação.
Abordagens que acredito não funcionarem mais
Sob o ponto de vista técnico, quando se repara para o cenário actual do mundo, parece que a evolução técnica é a única constante em detrimento da evolução humana, mais concretamente para o aspecto comportamental.
Por muito tempo a colectividade foi guiada por uma abordagem que cada vez mais se parece utópica: a importância de olhar para trás, com vista a entender o presente para, desta forma, melhor projectar o futuro.
A razão para a minha conclusão não é tão complexa quanto parece; principalmente se se assumir que as histórias são registradas num determinado presente com certa restrição por aquele que a escreve, decidindo o que vale ou não a sua atenção.
Isso se manifesta particularmente na maneira com que o nós acima referido decide usar de meios visuais para estabelecer a comunicação com o seu público.
O passado nos diz que houve uma maneira de comunicar visualmente que teve êxito e que com a evolução acelerada das tecnologias a preocupação é criar a partir das máquinas para as máquinas, revelando um facto assustador: pouco se cria para as pessoas na actualidade.
- Nós estamos a definir as cores que sejam diferente daquele que a gente não quer que as pessoas nos associam a elas, mesmo sem saber os significados com que um determinado público associa as cores;
- Nós estamos a criar slogans baseado naquela marca gigante que teve sucesso, na expectativa que a gente seja como ela sem sequer estar disposto a investir o tanto que ela investiu para conseguir o sucesso que alcançou.
- Nós só queremos vender, mas não construímos relações reais. Tudo é calculado, medido ao mínimo do detalhe com essas tecnologias evoluídas, onde a implementação das soluções são forçadas e por esse motivo vendemos uma vez e nos perguntamos o que está a falhar quando o cliente não volta para comprar novamente.
Então, o que é funciona?
Foi interessante escrever essa questão, porque não nos remete ao passado nem ao futuro e sim ao presente. Facto que leva-nos a reflectir sobre os fenômenos humanos que estão a acontecer ao nosso redor.
Uma estratégia engraçada não vai te ajudar a vender, no mínimo, vai contribuir para distrair quem interage com a peça de comunicação visual porque é como as pessoas se comportam hoje, entretanto, há maneiras mais reais e interessantes de estabelecer uma comunicação com o seu público sem ser um mero canal de entretenimento que, se tiver sorte, vai vender apesar de inúmeras reações.
O facto é que, ao invés de buscar copiar, fazer o que está a bater ou o que já uma vez foi sucesso… com um plano estratégico de comunicação interna e externa, é possível obter modelos de comunicação personalizados que não só se limitam aos outdoor, social media e influencers, mas que estejam ligados ao real problema que precisam ser ultrapassados. Talvez, por fim, seja importante lembrar que Design significa comunicar.
Para comunicar precisamos entender uma complexidade de factores ligados, inicialmente, a nós. Só depois que tivermos equacionado o nosso problema poderemos tentar compreender as melhores formas de fazer chegar a nossa mensagem ao público sem interferências e de forma apropriada sem ser inconveniente, ao mesmo tempo que obtém-se os resultados desejados.


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