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Desafios enfrentados por mulheres praticantes das artes plásticas - Faira Beatriz

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Faira Beatriz, apesar de ter aprendido a pintar aos 17 anos, sua primeira formação foi em Engenharia Civil. Actualmente, aprimora a sua experiência prática no Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC), onde estuda artes plásticas. É exactamente nesta área que se dedica e opera profissionalmente desde 2018. Conforme nos revelou, teve as primeiras bases com John Tameka, artista plástico moçambicano. 

Realiza alguns trabalhos como Engenheira Civil, mas é nas artes plásticas onde se encontra e se sente confortável e justificou " faço da arte o meu mundo porque é um lugar onde posso ser eu".

Iniciou-se como artista plástica expressando-se através da técnica mista com discos e espelhos. Ao longo do seu percurso artístico, explorou novas técnicas, mas continua fortemente na mista. Olhando atentamente para suas obras em telas, além da pintura, algumas contêm a modelagem e a técnica de instrumentos, que são um outro diferencial de Faira Beatriz.

Tivemos a oportunidade de contemplar uma das obras da artista em que faz a representação de uma mulher formosa e elegante. Ao longo da mesma pintura, reparamos em correntes atadas ao pescoço da personagem, como se de um colar se tratasse. É uma obra que pode remeter à ideia de uma prisão ou da liberdade humana ou ainda espiritual, condicionada por factores externos ou internos. O que nos faz explorar esta abordagem não são os conceitos que podem ser levantados ao apreciar as obras de Faira Beatriz, mas o diferencial que se encontra presente nas suas obras, relacionado estritamente à disposição de objectos reais. "Gosto de trazer, não só a pintura, mas o próprio objecto dentro da pintura", avançou.

A história de Moçambique é rica e complexa, marcada por períodos de colonização e luta pela independência. No entanto, muitos aspectos dessa história foram negligenciados ou apagados ao longo do tempo. É nesse contexto que artistas como Faira Beatriz desempenham um papel crucial, quando usam sua arte como uma ferramenta para resgatar e preservar a história e cultura do país.

As obras da artista exploram tempos passados, da época colonial, especificamente, para trazer ao presente factos desconhecidos, esquecidos ou desconsiderados. Conta com uma colecção de peças antigas com o objectivo de “mostrar às pessoas como as coisas funcionavam, por exemplo, a tecnologia, os métodos usados no acto do parto, as formas de comunicação e o valor essencial da arte”, contou-nos Faira Beatriz, reforçando que a cada obra e inserção de objectos na mesma, são novas descobertas das nossas raízes.

Sua paleta, nos últimos dias, é castanha, na verdade, de cores mais neutras. A inspiração lhe vem em dias mais apagados ou, melhor dizendo, "tristes", porque segundo a artista, "quando pinto triste, concentro-me mais, o que resulta em obras magníficas, por isso não me faz sentido pintar quando estou alegre". É nas madrugadas onde faz a magia acontecer.

Apesar de pintar mais em telas, pinta em murais, bem como em vestuário (camisetas, bolsas, chapéus e outras peças) e calçados. Faira Beatriz, revelou-nos ainda os tabus que enfrentou no início da sua carreira como artista plástica e não se esquece do que ouviu: "As artes plásticas não dão muito rendimento, procura outra profissão, depois vais dedicar-te às artes", mas nem com isso desistiu.

Além disso, entende que há outros desafios enfrentados por mulheres artistas plásticas, simplesmente por serem mulheres, já que ainda se está num processo de desconstrução de que a arte não é, simplesmente, a “cena” dos homens. Sem desconsiderar a versatilidade da mulher, relativamente aos seus papéis na sociedade ou dentro da família, que, em algumas vezes, entra em choque com a carreira de algumas artistas. Com vista a quebrar tais estereótipos, há, actualmente, uma forte presença de mulheres, a interagirem nas artes plásticas e noutras disciplinas, o que já é um ponto positivo.

Faira Beatriz ocupou o 2° lugar no concurso realizado pela Khandlelo, que lhe permitiu a pintura do mural de mosaico na Escola Primária Unidade 10. Foi uma das artistas premiadas no concurso “Melhor futuro”, uma exposição crescente organizada pela Associação Kulungwana, em 2020. Teve, ainda, a oportunidade de trabalhar num evento de feminicídio, onde construiu uma obra de arte com base em algumas peças das vítimas. Actualmente, trabalha com a sua comunidade em causas sociais, realizando Workshops para crianças e jovens, com intuito de desenvolver e dar novas oportunidades de descobertas criativas, proporcionando experiências reais.

Participou em várias exposições colectivas, com destaque para "Re - imaginar Maputo", e na residência artística "Artist proof studio" em Joanesburgo, na África do Sul, onde conheceu artistas renomados a nível do continente africano. Nas artes públicas, conta com uma colaboração com Sebastião Coana, uma das referências nas artes plásticas no país, nos murais nas "Barreiras de Maxaquene" e no Mercado do Povo, na Cidade de Maputo. Já colaborou também com o Movimento Maputo Street Art, na pintura de murais nos bairros periféricos da Cidade de Maputo.

Faira Beatriz já esteve envolvida em Workshops com vários artistas nacionais e internacionais, uma das referências é Sizwekhoza, artista plástico sul-africano. Vale também mencionar que sua primeira exposição foi em 2018 em Marracuene, nas celebrações do Gwaza Muthini.

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