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Vasco Manhiça, génio ou artista que compreende a linguagem dos espectadores

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Quando se pensa em artes plásticas, pelo conceito escolástico enraizado na maioria das pessoas, somos sempre remetidos à actividade praticada por génios incompreendidos que manifestam sobre as telas um mundo místico que emana de suas entranhas, facto este que condiciona o argumento de que a arte é, por muitos, não compreendida.

Embora a arte seja algo que exige mais do que a lógica para sua leitura ou contemplação, ela deve dialogar ou educar o espectador, despertando nele a sensibilidade adormecida, daí que o artista não pode (pelo que acredito) ser um mero ser que esboça ou lança a tinta sobre a tela quando pretende estabelecer uma comunicação com seu público.

Vasco Manhiça é um artista moçambicano, natural de Nampula e actualmente reside em Maputo. Seu percurso académico para sua formação como artista ou profissional que lida com comunicação visual inclui ENAV – Escola Nacional de Artes Visuais (Maputo, Moçambique) e Ca-Medien College (Essen, Alemanha).

O mais curioso sobre seu percurso académico é o facto de ter se formado em Design Gráfico e Comunicação Visual, facto este que pode ser compreendido quando se contemplam suas obras (um assunto a ser explorado ao longo do presente artigo).

Artistas e teóricos que, inicialmente, buscaram estudar e compreender os fundamentos da comunicação visual numa perspectiva formal, dedicaram-se ao estudo de elementos cujo ponto é consequência de uma acção, por exemplo, o ponto na superfície que resulta da gotícula de chuva que fica, aparentemente, como uma marca ou indício de que choveu, é essencialmente consequência de uma acção que sem ela a sua existência seria impossível.

Olhando para as obras de Vasco Manhiça, é possível dialogar com elas num processo dialético sobre a superfície no qual os elementos, mesmo que sutilmente, carregam em si uma essência que respeita o processo comunicativo que esses artistas ou teóricos se dedicaram a estudar, desde o ponto; linhas que podem ser compreendidas ou lidas pelas suas intensidades; assim como a escolha das cores, que são contrastadas numa composição peculiar.

Sem ignorar que os espectadores têm o poder no acto da contemplação da obra, o artista também possui o poder condicionador dessas reflexões que são, quando ocorrem, resultado do repertório de quem vem e de quem criou.

Outro facto curioso que desperta atenção nas obras de Vasco é que, quando nos distanciamos das suas telas, é possível perceber algo impossível de compreender quando se está perto delas. Parece que, quando estamos próximos às suas telas, somos consumidos pelas pequenas linhas e intensidades com que são dispostas as cores e outros elementos sugestivos (ponto e linha sobre o plano) por ele concebido.

Talvez seja pela influência de seus estudos em comunicação visual e/ou design gráfico, disciplinas essas que lidam estritamente com imagem (imaginação) e texto (pensamento) que em seus quadros pode ser possível encontrar esses dois elementos cruciais para se efectuar a comunicação visual.

Manhiça é um dos artistas que, ao exercer sua actividade, compreende que os espectadores fazem parte do seu mundo. Daí que, quando suas obras conseguem influenciar quem entra para contemplá-las, dificilmente sai da mesma forma que entrou. Sua genialidade seria a de compreensão que mesmo o mundo subjectivo pode ser expresso de forma abstracta, resultado de um método objectivo.

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